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Essas tais artes do corpo...

Essas tais artes do corpo...
O que muda na relação artista-público quando há proximidade física de seus corpos? Por que é que a cena ao vivo surge sempre tão vital em várias artes? Como é que teatro, dança, música (e etc) podem ser a mesma coisa? Eis as Artes do Corpo.

A reflexão que venho aqui propor é bastante objectiva: trata-se de observar os eventos artísticos que nos cercam da perspectiva de nossos corpos. A proposta não busca percorrer vias antropológicas ou até devaneístas, mas o que se pretende acolher é mesmo um entendimento muito básico - trata-se de observar como as informações a que somos impostos se organizam na comunicação de uma individualidade, com suas implicações. A questão do corpo aqui vai mesmo a actualidade da carne, e isso é uma abordagem delimitada de um tema, que tão desgastado enquanto assunto massmidia em razão do sensacionalismo ou cientifiquistas dos discursos que impunemente deslocam o tema para uma infinidade de pautas, sem no entanto, efectuar os ajustes contextuais necessários.

Noutro sentido, há décadas que o olhar para o corpo na arte contemporânea vem sendo explorado e grandes especulações a cerca do potencial da corporalidade em cena estão frequentemente reflectindo sobre fenomenologias peculiares à comunicação ao vivo. Quase que instituíram-se postulados sobre qualidades de presença em cena, ou então, acerca da energia comunicativa dos intérpretes, entre outros temas que vão sendo explorados com crescente interesse.

Deste modo, parece ser de grande pertinência focar o corpo como perspectiva de acesso às obras de arte - quer de cunho popular, quer erudito, comercial ou alternativo; pois por esta via é possível deixar-nos chegar sensivelmente as matérias que se expressam através das obras, para assim perceber como estas nos afectam antes de nos impressionarem; de tornarem-se experiência em nossos corpos e continuarem comunicando a partir de então.

Quando observamos a produção artística actual parece impossível dissociá-la da cultura de nosso tempo, e nisto torna-se muita estreita a ligação entre entretenimento e arte. Uma certa dinâmica de produção cultural vem se construindo historicamente no sentido de mercantilizar as acções advindes de trabalho humano, intencionando criar mapas de adequação para as actividades artísticas e impondo a estas seus parâmetros de controle. No entanto, a própria imprevisibilidade inerente ao humano, presente desde a constituição própria de seu arranjo orgânico e celular, até aos elaborados instintos combativos às delimitações que vão se impondo. O arranjo instável que somos acaba por viabilizar paradoxalmente rotas de fuga dos campos de controle, fomentando a criatividade para o novo, para inovação, para invenção.

Reparar como os artistas fazem das adversidades matéria de expressarem-se é para além de exercício de análise e de intelecto, sensibilizar-nos a vazão das sensações que as artes nos provocam, o que é também atentar-se as comunicações que se processam por outras vias (irracionais, anímicas, e mesmo fisicalizadas). Quando o corpo se faz media de seus pensamentos as implicações das ideias que carrega são muito mais profundas, são encarnadas.

Por isso mesmo, mais do que criticar espectáculos ou revisar performances ao vivo, direccionar o foco para as Artes do Corpo é ter em conta a relação que se estabelece entre artista e público, desde os âmbitos mais sensíveis dessa comunicação até domínios mais objectivos das mensagens a nós direccionadas pelos artistas.

Se quando começo a tratar de elementos mesmo concretos como é um design de luz, uma disposição de elementos num palco, a preocupação ou a não-preocupação com a visibilidade ou audibilidade da recepção da cena, etc. Observando tais dados da perspectiva do corpo, percebendo como tais informações afectam-me e obrigam-me a me reorganizar, já estou então a pluralizar a obra artística dando vazão a seu trânsito, actualizando seu eco; o que permite que a experiência única da apreciação ao vivo de uma obra reverbere em uma outra fluência de significações que operando ou deixando de operar sentidos, actualizam continuamente a comunicação ocorrida em determinada performance, desdobrando-a no tempo.

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Publicado el abril 29, 2009 a las 9:00am 1 comentario

Comentario (1 comentario)

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A las 9:27pm del agosto 1, 2009, JESUS ALEGRIA ARGOMEDO RODRIGUEZ dijo...
Becas de la Catedra Popular de Danza
http://jesus-alegria.blogspot.com
un abrazo
 
 

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