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“Bahia: terra da felicidade”! Cantou o poeta um dia, e, vai disseminando o Povo e os governantes baianos esta idéia.  È bem verdade, a Bahia é uma felicidade só, para quem aqui aporta e sente sua beleza/arquitetura. Seu povo negro, lindo e “feliz”, esboça a dança na cadência do samba, na cadência do samba-regae, do carnaval, das festas sincréticas religiosas. A felicidade,  está no jeito de falar alto e sorrir do baiano, na sua produção artística cultural intensa, onde o baiano,  além de se afirmar feliz , afirma que o baiano não nasce , “estréia”.

Mas o que está por traz dessa felicidade musicada, dançada do jeito baiano? Quem faz esta pergunta por meio da estética da dança cênica contemporânea é a dançarina Norma Santana,  com o seu espetáculo: Sorria ! Você está na Bahia. As imagens projetadas das festas populares baianas e do seu povo no espetáculo, vai dando a sensação na platéia desta pretensiosa felicidade, alcançada por meio das festividades locais, sendo pois para nós o que nos encanta.

O corpo de norma, vai dançando esta alegria ou pseudofelicidade baiana,  através de uma coreografia construída a partir da observação destes corpos, dos corpos dançantes dos praticantes da capoeira, dos dançarinos de pagodes e Aché, do hip hop, aliados a movimentação de dança  de Norma. Ela enquanto artista,  vem construindo e buscando nestes fazeres híbridos,  linguagem própria de dança. Sua dança vai tomando conta da platéia e vamos nos perguntando onde este corpo quer chegar? O que ele quer dizer nesta coreografia?

A dança de Norma Santana,  vai performatizando-se de uma maneira segura, vai alcançando a platéia, confirmando o carisma da dançarina dentro e fora do palco. Entre volteios, gingados e malemolejos baianos,  ela saca um dedo em riste, que enquanto dança, aponta para ela própria, toca algumas partes do seu corpo e chega a boca,  dando a intenção de náusea, de mal estar, de deslocamento, assim como indica uma sensualidade exarcebada. Seu corpo vai dizendo frases dançandas, as vezes repetidas, mas também  pré anunciando o discurso oral que está por vir.

A música cessa, ela desce do palco e intercepta  a platéia,  contando estórias de corpos femininos baianos que não se encaixam neste slogan: Sorria você está na Bahia. Sua fala traz ao público , uma mulher baiana negociada pelo tráfico internacional de mulheres, outra prepara-se para uma entrevista de emprego, no entanto, o anuncio deixa claro o racismo: “Precisa-se de empregada doméstica branca”.

A tal felicidade baiana, está longe de ser conquistada  pelos baianos,  quando o Estado mostra-se na extrema miséria, quando mostra-se excludente, racista e classista. O sorriso que Norma embota em nossos rostos, torna-se amarelo, pois revela esta outra face tão à mostra,  que nós baianos e naos baianos, não queremos ver. O  sorriso chega como um tapa, para reafirmar o que há muito percebemos, o que está mais que explicito. Por trás desta felicidade baiana/ brasileira, desta sensualidade, desta alegria encontrada nas festividades do dia-a-dia, não é  revelado a dor, o sofrimento, o apharteid, o trabalho duro do povo baiano, que ainda por cima tem fama de ser  preguiçoso,  quando busca fazendo todo tipo de serviço um meio de tornar-se indendente do sistema escravocrata que geramos pelo capital.

Se esta felicidade baiana é falsa , a dança de Norma mostra-se verdadeira. Traz em si o poder de reflexão e divertimento que a Arte tem nos presenteando,  proporcionando pelo menos por vinte minutos, a felicidade. A tal felicidade chega até nós enquanto dança, e então ao fim do espetáculo,  podemos compartilhar com ela do slogan: Sorria você está na Bahia.

 

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